O embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, John Arrigo, apelou a que Portugal avance para a aquisição do F-35, fabricado pela Lockheed Martin, defendendo o caça de quinta geração como a opção ideal para substituir a envelhecida frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa.
O envolvimento do diplomata norte-americano, surpreendeu ao abordar o tema numa entrevista à CNN Portugal. Com experiência anterior no setor empresarial, Arrigo sustentou que a escolha do F-35 reforçaria a interoperabilidade no seio da NATO e permitiria a Portugal integrar o crescente grupo de países europeus que operam este modelo, colocando o país entre as forças aéreas mais avançadas do continente.
Apesar destas declarações, Portugal ainda não deu início a um concurso formal para selecionar um novo avião de combate. O ministro da Defesa, Nuno Melo, afirmou em novembro de 2025 que o processo de substituição não tinha arrancado e que não existia qualquer encomenda formalizada. Já a 13 de março de 2025, o governante revelou que estavam a ser reavaliados planos anteriores que apontavam para o F-35 como possível sucessor do F-16, sublinhando, contudo, que nenhuma decisão tinha sido tomada.
Por seu lado, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, general João Cartaxo Alves, indicou que o trabalho preparatório interno está em curso. Em entrevista ao Diário de Notícias, em dezembro de 2025, defendeu que a renovação da frota deveria ter começado há cerca de 20 anos, salientando que as aeronaves mais recentes têm 31 anos e as mais antigas aproximam-se dos 40.
O responsável máximo da Força Aérea considerou inevitável a substituição do F-16 e revelou que o processo já decorre junto das instâncias competentes. Admitiu ainda que uma futura aquisição poderá situar-se entre 14 e 28 aviões. Segundo explicou, este número poderá funcionar como solução intermédia, tendo em conta um horizonte mais alargado, caso Portugal venha a apostar num caça de sexta geração, evitando assim dimensionar a frota apenas numa lógica de substituição direta.
Também Nuno Melo manifestou a intenção de Portugal participar num dos dois grandes programas europeus de sexta geração: o Future Combat Air System (FCAS) ou o Global Combat Air Programme (GCAP). O objetivo imediato, segundo o ministro, seria integrar estas iniciativas como observador, posicionando o país de forma estratégica para o período pós-F-16.
A prudência portuguesa insere-se num debate mais vasto na Europa sobre dependência tecnológica, sustentabilidade e autonomia estratégica relativamente aos sistemas norte-americanos de última geração, mesmo num contexto em que o F-35 continua a expandir-se entre aliados da NATO. Recorde-se que, em agosto de 2025, foi noticiado que as conversações entre Espanha e Washington sobre este modelo tinham sido suspensas por tempo indeterminado.
A intervenção de Arrigo segue uma tendência recente de declarações públicas particularmente diretas por parte de representantes diplomáticos dos Estados Unidos, que têm associado de forma explícita as escolhas de aeronaves à integração e coesão no âmbito da aliança atlântica.

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